Treinamento Ao Ar Livre

Amigos ,
abaixo poderão ler o artigo publicado pela Folha de São Paulo em que o estilo INSADI de fazer acontecer se destaca.
Beijos a todos,Aninha

TRILHA ARRISCADA

Na moda, atividade outdoor tem eficácia questionada

Rodrigo Paiva/Folha Imagem

Marcelo Arias, que teve dificuldade para concluir o percurso no primeiro dos dez treinamentos dos quais participou

Para consultores, treinamento mal executado traz resultados negativos

LARA SILBIGER
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Chegou o sábado – em tese, dia de folga para o analista de recursos humanos Daniel Diez. E assim teria sido não fosse a atividade para a qual fora escalado: uma caminhada no mato organizada por sua empresa.
Entre cronômetros e bússolas, como membro de uma equipe, Diez estreou em provas de navegação por trilhas. “A cada dia, mais companhias buscam profissionais hábeis no trabalho em equipe. O trekking contribuirá para eu me aprimorar nesse sentido”, analisa.
De fato, por estabelecerem essa relação, muitas empresas se valem dos chamados treinamentos vivenciais -atividades promovidas com o objetivo de aperfeiçoar temas como liderança, cooperação, comunicação, gestão de conflitos, ética e comportamento profissional.
No entanto, as atividades outdoor, se mal executadas, podem ter resultados pífios -e às vezes até prejudiciais- ao desempenho da organização.
Para Ana Lucia Matos, consultora do Instituto Avançado de Desenvolvimento Intelectual, a principal dificuldade é a consonância de expectativas entre gerentes e colaboradores.
“O gestor encomenda o programa na esperança de gerar resultado imediato, uma espécie de mudança instantânea.”
Já a expectativa do funcionário, diz, varia entre “a espera por férias sabáticas, o medo do desconhecido e a sensação de que será outra atividade inútil”.
“O funcionário não tem muita escolha”, ressalta Júlio Bin, sócio-diretor da consultoria Gecko. “Ele participa do que lhe é proposto na esperança de que o processo acrescente algo à vida profissional e, algumas vezes, à pessoal.”
Outro problema apontado por Bin é o fato de as empresas não consultarem o empregado antes da atividade experiencial. “Normalmente, é dada ao funcionário a possibilidade de avaliar a atividade somente depois de já ter participado dela.”

Fortes emoções
Segundo Benedito Milioni, da AssertRH, o treinamento deve ser planejado com cautela (leia mais à página 3), por ser uma atividade com “forte envolvimento emocional”.
Emoção foi o que não faltou para Giani Perez Kocsis, 38, que decidiu levar suas funcionárias para um treinamento vivencial com a intenção de reforçar o espírito de equipe.
“Passamos por caminhada, prova de aventura e canoagem, mas, quando foi a vez do rapel, não consegui continuar. Tive a impressão de que, se algo desse errado, não teria volta”, diz.
Mesmo sob o risco de ter a liderança questionada, Kocsis não insistiu -nem sua equipe. “É como em um negócio: por alguns caminhos eu não sigo.”

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Colaborou Mariana Bergel

Contexto da ação define resultados

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Para organizar um programa de treinamento vivencial ao ar livre, com duração de dois dias e para um grupo de até 60 pessoas, a empresa paga de R$ 500 a R$ 1.000 por pessoa.
Entretanto, de acordo com Ana Lucia Matos, do Instituto Avançado de Desenvolvimento Intelectual, tal investimento será infrutífero se a atividade for realizada por mero modismo ou sem o comprometimento dos participantes e da firma.
“Eventos assim causam mais mal do que bem à saúde da corporação, pois desestabilizam, oneram, não geram conceitos nem integram conhecimentos”, enumera Matos.
Seguindo esse raciocínio, Júlio Bin, da Gecko, sugere que a atividade esteja inserida em um programa de desenvolvimento para os funcionários.
“Caso contrário, é preferível fazer um churrasco de confraternização para maximizar o objetivo e a verba alocada”, destaca.

Recreação
Diante do amplo leque de opções de treinamento vivencial, o gestor pode ter dificuldade na hora de escolher qual vai ao encontro do que precisa. Não existe, porém, um modelo a ser seguido.
De qualquer jeito, deve-se cuidar para que a atividade não se transforme em mero entretenimento. “Não há nada de errado nisso desde que esse seja o objetivo. Mas, em geral, tal ação não atende às expectativas do gestor, apesar de agradar ao participante.”
Outro ponto considerado é o número de participantes. Para os consultores, o resultado é recreacional em grupos com mais de 200 pessoas. (LS)

Riscos devem ser levados em conta pela empresa

Análise de detalhes como disposição física do profissional é pré-requisito

DA REPORTAGEM LOCAL
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Mesmo quando bem planejado, nenhum treinamento vivencial está livre de riscos. “Médicos e profissionais da saúde mental devem ser ouvidos sobre os riscos inerentes às ações vivenciais, pois elas implicam grande mobilização física e emocional para o participante”, salienta Benedito Milioni, da AssertRH, consultoria que organiza treinamentos.
Marcelo Arias, 27, gerente de uma firma de ferragens, diz ter sentido isso na pele: “Para sedentários, é difícil mesmo”.
Da primeira vez em que participou de um treinamento vivencial, Arias teve dificuldade para concluir o percurso. “Eu não praticava esportes e tinha 20 kg a mais do que agora. Para acompanhar o pique da aventura, é preciso estar em forma”, lembra o gerente, que hoje é um entusiasta das atividades vivenciais e diz já ter participado de dez treinamentos.
Outra variável a ser prevista é a acessibilidade física. Para Júlio Bin, da consultoria Gecko, se há no grupo um portador de deficiência ou uma pessoa com mobilidade reduzida, a atividade deve ser reestruturada.
“Isso não altera em nada o processo, mas, por outro lado, enriquece a percepção de todos sobre inclusão, respeito e trabalho em equipe”, comenta.
Foi esse o pensamento que faltou na empresa em que a assistente administrativa Jucilene Evangelista, 25, trabalhava. Cega desde os cinco anos, ela conta que já passou por diversas situações constrangedoras. “Havia campeonatos feitos para os funcionários e eu nunca era convidada”, recorda.
Há seis meses na área de seleção da Redecar, Evangelista, que é independente em quase todas as atividades, diz contar agora com total apoio de sua equipe em treinamentos.
“Posso acompanhar as atividades, pois a empresa criou condições para isso”, comenta a estudante de psicologia, que defende a adoção de atitudes como essa por outras firmas. “Deve-se criar uma política de inclusão que considera as competências das pessoas levando em conta suas limitações”, diz.

Papéis separados
Outro ponto essencial suscitado pela psicóloga e consultora organizacional Meiry Kamia é o grau de profundidade dos treinamentos vivenciais.
“O nível de trabalho é bem mais superficial e mais voltado para o processo grupal da empresa. Não se pode confundir treinamento com terapia grupal ou clínica”, esclarece Kamia. Ela exemplifica: “Não é objetivo da metodologia experiencial tocar em assuntos da vida particular ou curar fobias”.
Caso isso aconteça, Ana Lucia Matos, do Instituto Avançado de Desenvolvimento Intelectual, alerta para o risco de se criar um trauma profissional. “Um constrangimento pode gerar sofrimento e desgaste desnecessários, o que resulta em esfacelamento do clima organizacional”, adverte. (MB E LS)

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