O Cérebro
Estamos diante de um novo paradigma na história: as descobertas no campo das neurociências integram-se, em grande parte, às de campos tão diferentes quanto a antropologia, a filosofia, a lingüística e a psicologia. Muitos, parecem obcecados com um determinado aspecto dessas descobertas, a saber, que existe uma base biológica para as nossas personalidades, comportamentos e distúrbios mentais. Isso constitui um assunto apaixonante, mas está longe de atingir a eletrizante emoção suscitada pelo que estamos começando a desvendar.
O cérebro não se parece em nada com os computadores pessoais que projetou, pois ele não processa a informação e nem constrói imagens manipulando fileiras de dígitos como zeros e uns. Pelo contrário, o cérebro é predominantemente composto de mapas, de conjuntos de neurônios que, ao que tudo indica, representam objetos inteiros de percepção ou cognição ou, pelo menos, qualidades sensoriais ou cognitivas integrais desses objetos, tais como textura, cor, credibilidade ou velocidade. A maioria das funções cognitivas envolve a interação simultânea de mapas provenientes de muitas e diferentes partes do cérebro. Em vez de usar a lógica predicativa de um microchip, o cérebro é um processador analógico, o que significa, essencialmente, que ele funciona por analogia e metáfora.
A Evolução

O cérebro evoluiu de baixo para cima, conforme mostra a ilustração ao lado. O modelo chamado de cérebro triuno sugere que o nosso cérebro, ao desenvolver-se, conservou aquelas áreas dos cérebros dos nossos predecessores que já tinham provado ser úteis e construiu novas estruturas que ajudaram a espécie dominar a luta evolutiva. Através do processo de mutação aleatória e de sobrevivência dos mais aptos, a evolução fez alguns retoques no que veio antes de chegar ao mais adaptativo mecanismo existente no universo.
A base do cérebro, o chamado cérebro reptiliano, é onde estão localizados os necessários comandos para a vida. Eles controlam o sono e a vigília, a respiração e a regulação da temperatura, os movimentos automáticos básicos, e input sensorial. A seguir, o cérebro paleomamífero (incluindo o sistema límbico) promove a sobrevivência e refina, emenda e coordena os movimentos. Vemos também aqui o desenvolvimento dos aparelhos para a memória e emoções, os quais melhoram e realçam ainda mais a regulação interna do corpo, ao mesmo tempo em que começam a interagir com o mundo social. Desenvolveu-se por fim, o cérebro neomamífero ou córtex. Esta área é responsável pela rigorosa afinação das nossas funções inferiores e por nossas associações, pensamento abstrato e capacidade de planejamento, ale de nos permitir responder a novos desafios.
O cerebelo também evoluiu, refletindo o fato de que tem um papel no pensamento, fala, memória e em nossa vida emocional.
(Fonte: "O Cérebro, Um Guia para o Usuário" - Dr.John J. Ratey)